Negro, o negro da noite, da escuridão, da penumbra, o negro do vestido que me deste e eu guardei, guardei durante anos fechado numa gaveta bem guardada onde nunca quis mexer por medo, por receio, por dúvida, por não saber e por não ser a altura certa...
Negro, o vestido negro que finalmente vesti, a gaveta que abri e devia ter ficado fechada como uma caixa de pandora onde podia agora olhar e lembrar-me em vez de usar este vestido podia apenas vê-lo, imagina-lo e sonhar com o dia em que o pudesse vestir...
Negro, o negro vestido que me cai na pele à medida do meu corpo porque o conheces e sabias que me servia...
Negro, o vestido negro que estreei e tu nem viste, numa noite negra de lua nova em que nada me iluminava e tu não viste... embebida pelo negro da noite não reconheces-te o vestido, vestido que tu me deste, nem a mim me reconheceste, estava negro e não viste...
Negro o meu vestido como uma alma quando se perde, escuro pois foi a cor que escolheste para me fortalecer, negro porque não é branco, negro porque é escuro, negro porque é sombrio, negro porque negro é o meu vestido...