Quando anoitece o sol vai-se dando lugar ao esplendor da lua, lua que hoje está cheia pronta a iluminar a alma do triste pedinte que é rico, pedinte que tem riquezas que o dinheiro pode comprar, pedinte que tem bons carros, boas casas, boas mulheres, boas contas bancárias mas não passa de um pedinte...
Pedinte que nada pede verbalmente mas cujo o seu olhar tudo diz...
Pedinte que um dia desperdiçou aquilo que hoje pede, mas que pede sem pedir, pedindo com o seu olhar o amor que não soube ter, acarinhar, cuidar, dar e receber...
Pedinte cujo a alma vagueia errante por entre as ruas da cidade adormecida depois do anoitecer onde tudo fica mais escuro e sombrio, onde a noite é rainha de muitas despedidas e de muitos encontros ocasionais que te tornam novamente num pedinte...
Pedinte porque tudo tem mas afinal nada possui...
Pedinte porque o bem mais precioso se foi ou nunca o teve, ou nunca o soube ter...
Pedinte sim, a ti te chamo pedinte porque não sei que outra coisa te chamar, pedinte cujo a alma aclama pela chegada da sua riqueza, pedinte que anseia pelo regresso de quem partiu e pela chegada de quem nunca se foi embora porque nunca existiu, porque nunca quiseste que existisse, porque nunca pensaste que serias rico mas um mero pedinte...