terça-feira, 28 de julho de 2009

Olhar...

Olhar que não é mais o mesmo...
Olhar que teus olhos viram e já não vêem...
Olhar que te aprisionava e agora te liberta...
Olhar que um dia te desejou e já não te deseja...
Olhar que te tranquilizava e hoje te inquieta...
Olhar que te transmitia paz e agora sentes insegurança...
Olhar em que acreditavas e agora te mente...
Olhar que um dia te fascinou e agora te faz correr para longe...
Olhar, o simples olhar que um dia me envolveu, me deu o mundo, o universo, o céu e o paraíso as mais belas músicas e cores, os sabores mais raros da vida e as histórias mais mirabolantes e maravilhosas, os filmes mais genuínos e dispendiosos em noites sombrias onde a aventura era palavra de ordem e a irresponsabilidade irradiava do teu olhar...
Olhar que um dia se fechou quando a porta atrás de mim bateu e encerrei-te na minha vida...
Olhar que amei e venerei, olhar que respirei só para o ver, olhar que me acompanhou ao longo daquele tempo, olhar que me magoou e despedaçou, olhar que me fez chorar e rir, olhar que me abraçou e me bateu, olhar, o teu olhar doce e amargo, quente e frio, brilhante e obscuro...
Olhar da dualidade eterna desse ser que és tu, olhar de Deus e de Diabo que te define unicamente como se num espelho tua imagem fosse reflectida e mostrada ao mundo...
Olhar que me conhecia por tanto me ter visto, mas que hoje não me conhece porque sou diferente, não diferente daquilo que eu era mas sim diferente de ti...
Olhar que não me olhará novamente, olhar perdido no tempo em que te escolheste perder, olhar irreal e misterioso da eterna incerteza de ti próprio em seres tu mesmo, olhar que não mudou ao longo dos anos...
Olhar do meu passado, o passado que já passou...