sábado, 8 de agosto de 2009

Herói...

Meu herói que hoje não estás aqui para ler este texto, mas sei que onde quer que estejas sentes a energia do que hoje escrevo...
Muito de ti existe em mim, segundo dizem é o mau feitio refinado...
Foste meu pai, agradeço a Deus por isso porque apesar das nossas divergências amo-te e sempre te vou amar...
As recordações que te guardo nada nem ninguém tem como apagar, nem a vida nem a morte me vão fazer esquecer o homem que um dia foste, o quão duro e directo foste comigo, o que me fizeste crescer, as tuas manias e convicções que me punham com os cabelos em pé, as minhas respostas e observações que te punham os olhos quase em órbita...
Foi graças a ti que sou quem hoje sou, foi graças a ti que soube escutar um amigo, foi graças a ti que aprendi a dizer o que penso aos meus amigos por mais que isso fosse duro pois era o que fazias comigo, aprendi que se tentar poupar alguém de algo não o estou a fazer e sim a adiar um problema, aprendi a ser sem dúvida uma pessoa mais directa e talvez mais fria mas a ter uma consciência mais leve... aprendi contigo a não guardar o que se tem para dizer, e também foi contigo que aprendi que quando tentamos nos fechar no nosso mundo um dia a corda rebenta e... que a vida vale mais que isso...
Aprendi contigo a viver a vida a cada dia, minuto, segundo, a cada instante como se fosse o último...
Podes não me ter ensinado tudo directamente mas, a tua história ensinou-me tudo isto...
Sabes, tenho pena por só me ter dado conta do quão unidos podíamos ter sido tão tarde, por só te ter conhecido realmente quase no fim do teu jogo que terminou bem cedo... mas agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de ter estado a teu lado...
Há dias em que a saudade aperta e bate mais forte e me lembro do que me dirias tu se aqui estivesses...
Foste o meu herói, um herói escondido atrás de um pano do palco de uma sala de teatro, quando estava em cena torcias por mim, quando saía eras o primeiro a dizer o que tinha corrido mal, e quando eu não estava punhas-me no pedestal...
Amo-te pai sempre te amei embora nem sempre o tenha demonstrado da melhor forma...
"Papazinho" tenho saudades e como diz a mãe:
"Quem inventou a distância...Não sabia o quanto dói a saudade...

Chuva...

Noite de chuva em que o céu quase se abriu, em que a escuridão quase virou claridade, em que Deus quase se fez ver sobre a Terra e sobre a cabeça dos homens...
Naquela noite de chuva caminhava triste pelas ruas assombradas por almas defuntas pois não se via viva alma pelos caminhos onde vagueava em busca de um rumo, de uma resposta embora até mesmo eu não soubesse qual a pergunta que me fazia procurar nem o que procurar, apenas andava, andava desejando encontrar algo intenso como a vida, vivo como uma criança que acaba de vir ao mundo soltando o seu primeiro choro dizendo à sua maneira que nasceu...
Caminhei por troços sem fim com cruzamentos e entroncamentos, becos e ruas sem saída sem ver ninguém que fosse visível ao meu olhar... Caminhei, após muito caminhar encontrei uma luz brilhante e intensa, branca e imensamente luminosa, luz que apareceu no meu caminho e me mostrou que tudo não tinha passado de uma noite de chuva em que o céu quase se abriu mas afinal continuou como sempre tivera sido...
Porque tudo não passou de uma noite e o dia voltou a nascer...