quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Porta...

Bati à porta mas... ninguém abriu, resolvi entrar nessa porta alta castanha cor de carvalho com um puxador antigo como as árvores que rodeiam a casa onde quis entrar, explorar, conhecer, sentir, estar...
Quando abri a porta devagar tudo rangia ao meu redor, o vento soprava forte como se fosse arrancar-me do chão e a chuva caía tão intensamente que não conseguia ver nada à minha frente e entrei ensopada com o cabelo a escorrer molhando a delicada carpete que estava na entrada da casa onde quis entrar, era uma carpete vermelha com motivos pretos que não sabia o que eram mas que giravam tal como tudo girava à minha volta, ou quem girava era eu...
Parei, olhei em volta e vi que estava noutro sitio, noutra história, noutra vida e não na casa onde tinha decidido estar... estava num paraíso azul e verde onde os anjos corriam e dançavam ao som de uma musica delicada demais para ser ouvida, perante um lugar lindo demais para ser real, numa ilusão que não parecia ser ilusória numa realidade que parecia um sonho, numa história tirada de um conto de fadas escrito por uma alma de poeta numa tarde de verão em que o calor paira no ar mas o sol se afasta para outras paragens, de uma pintura que fica aprisionada num quadro mas que salta para dentro de cada um de uma forma diferente... ou não.
Porta, abri uma porta que me levou a um lugar onde nunca pensei estar...

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